Ontem estava demasiado fora de mim para poder escrever o que quer que fosse sobre o “Slumdog Millionaire” (ou em português, “Quem quer ser Bilionário”, título que até está bem colocado, está sim senhor). Hoje já consigo escrever, mas com cautela, que isto de escrever sobre um filme tipo “papas de sarrabulho” ainda pode dar cabo das costas. Passo a explicar. Encaremos os filmes como uma ementa. Temos de tudo, desde bolinhos de bacalhau, pregos no prato, arroz de pato ou papas de sarrabulho. O bolinho de bacalhau é o filme que se estivermos em casa num Domingo à tarde, até somos gajos de ver. Antes do bolinho de bacalhau há aqueles que mesmo que estejamos em casa, não vemos. Esses ainda não descobri qual é o nome na ementa. Depois temos os pregos no prato, que até vamos ver ao cinema, assim uma comédia ou um daqueles filmes cheios de explosões que até dão para passar um bom bocado. O arroz de pato não. Esse é mais elaborado, é uma espécie de filme que dá para saírmos do cinema a pensar nele, ficarmos tipo “Eh lah, este filme sim senhor, até o vou comprar em DVD e tudo se tiver a menos de 10 euros na Fnac, mas só se tiver a etiqueta vermelha, porque a verde é para os Chou Riçás que vão para lá de Moleskines no bolso”. E até o compramos. Depois pronto, ele é papas de sarrabulho, feijoada à transmontana, cozido à portuguesa, bacalhau no forno ou arroz de cabidela. É pimba pimba pimba, encher o bandulho. Sair do cinema com a barriga tão cheia que no dia a seguir acordamos a arrotar a filme. Tipo kebab’s às 4 da manhã no Quinta do Bill Zz.
Este Slumdog Millionaire, se fosse uma ementa era assim:
Entradas: Alheira de Mirandela e Chouriça assada;
Prato principal: Papas de sarrabulho com rojões, tripa e farinhato;
Sobremesa: Bolo de chocolate com doce de leite pelo meio, só por causa das merdas;
Bebida: Uma vinhaça do Alentejo, daquela que põe um gajo a cuspir fogo.
E depois saímos do restaurante e ainda vamos beber um Bombay Saphire, só para “arrotar a bola de capão” como diz o Guita. O filme é assim, mas sem a parte do efeito nocivo.
Vão ver e depois digam. Este é mesmo para ver no cinema.