Nota prévia: Vou publicar esta minha opinião num blogue para o qual costumo contribuir, que por sua vez é visitado diariamente por
Confesso que a sua criação foi uma descoberta tardia. Nem sempre me senti atraído. Só consigo comparar o seu rebento com as namoradas a sério. As companheiras que escolhemos para a vida nunca foram modelos, nem são as mulheres mais bonitas do mundo (objectivamente falando, claro). Nunca são as mais sofisticadas nem tão pouco as que chamam mais a atenção. A mulher que eu quero que me veja a tomar Viagra não nasceu de amor à primeira vista, nem será fruto de uma tórrida paixão. Escolhemos a companheira por ser especial, porque a conhecemos nas suas virtudes e defeitos. Sim, ela não é perfeita. E ainda bem. A relação que mantenho com o seu mais que tudo, e desculpe-me o devaneio, é deste género. Conheci o Lidl por necessidade. Numa emergência tive que fazer as minhas pequenas compras lá. Admito que não fiquei muito bem impressionado com o aspecto. Senti-me até num super-mercado romeno. Ainda hoje sinto que viajo quilómetros através de um qualquer método de teletransporte lidliano. Tantas marcas desconhecidas, que fazem as caixas de cartão aqui?, onde estão os expositores?, quem são estas pessoas?, porque é que os trabalhadores parecem fugidos do armazém? Eu percebo. Faz parte da sua adaptação das estratégias de liderança de custos do Sr. Porter. Porém, terá que reconhecer que para o povo português a aparência tem alguma importância. Demorei a voltar, embora já na altura tenha reconhecido a qualidade das pizas. Daí até ao que sinto hoje só posso classificar como um agradável processo de experimentação e conhecimento mútuo, no qual as lasanhas, o pão-de-alho, os sumos naturais, os gnochis, o leite condensado e mais tarde os pastéis de bacalhau tiveram um papel decisivo. Como lhe tentei explicar na metáfora parva, o Lidl não tem boa publicidade, o Lidl não tem o melhor aspecto, o Lidl não é o supermercado mais bonito. Mas que interesse tem isso? Como os feios costumam dizer para se desculparem (eu inclusive) – o interior é que conta. E nesse capítulo Sr. Lidl, o senhor arrasa com a concorrência. Cativou-me e fidelizou-me. Agora só penso em aproveitar tudo o que tem para me oferecer. Aprendi a classificar como insignificantes os defeitos da sua obra, pois estou maravilhado com a sua beleza interior. Gostaria de o felicitar, não só por ter tido esta ideia genial, como também por resolver abrir mais um destes espaços de luxúria a 53m da minha casa. Outra ideia brilhante. Termino com o melhor elogio que poderia fazer à sua criação – se tivesse que ficar fechado numa superfície qualquer, escolheria o Lidl, sempre.
Com os mais sinceros cumprimentos, o seu cliente mais fiel,
Mestre Chou Riçá
P.S. – Depois informe-me como faço para levantar as 8 lasanhas.