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segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Considerações de um dia cinzento

Já não há profissionalismo na mendicidade. A minha memória não se lembra da última boa história de pedinte que guardou nos seus arquivos. Por estes dias é só filhinhos acamados, um eurinho para a sopa ou para os remédios. Que é feito da imaginação? Do brio? Da classe? Do zelo? Parece o meu secundário, fazer o mínimo para passar. Enquanto o nosso país não meter na cabeça (fica ali para os lados de Trás-os-Montes) que o cliente satisfeito é primordial para qualquer negócio não vamos sair deste buraco. Mesmo os denominados gestores de espaço e inventores de novos lugares embora sujeitos a reboque, têm como dado adquirido receber a moeda. A troco de que trabalho? De nenhum, o meu carro tem sensores. Não há esforço por um bom serviço, olhe não o vou enganar, tem aqui um bom lugar mas o senhor agente costuma passar aqui. Não, nada disso. Os princípios éticos morreram. Foram assassinados pela sofreguidão, cúmplice da ganância. Nem o obrigado é sincero, é mais um acho bem, caso contrário riscava-te essa portinha linda. Que mundo cruel é este que não me permite ser enganado com gosto e ingenuidade? É isto que queremos ensinar aos nossos filhos? Quem os tem, claro…