quarta-feira, 7 de maio de 2008

O outro lado da queima (atenção, veículo longo)

Acordo e sinto todos os músculos do meu corpo doridos. Não é bom sinal. O espaço entre cada acordar e voltar a adormecer parece-me de cinco minutos. Na verdade, é de uma hora, dizem-me. Aquele gajo que aparece com a língua de fora tinha razão lá com aquilo da relatividade. Olho para o telemóvel, consulto as mensagens que ficarão por responder e telefono para as duas autoridades competentes. Ainda sou vivo, apesar de das dez horas que dormi. Ainda no escuro do quarto não consigo deixar de ouvir o som constante dos carros que passeiam lá baixo. Diria que é um só, enorme, gigantesco que ainda não acabou de passar. É que não pára. 17.28, diz-me o relógio. Boa. Hora de levantar e inspeccionar o que se passa fora do quarto. A amizade não se compra e assim sinto-me em casa. Esta, por sinal, é caricata. Digamos que a minha mãe se recusaria a entrar aqui. A sala já merecia um sofá e as cadeiras já tiveram melhores dias. Uma televisão virada para a mesa oval, que ainda segura os pratos, panelas, talheres e copos, que por sua vez teimam em albergar o jantar da noite anterior, dá a cor sonora que entretém. Os restos do tabaco de enrolar estão espalhados por todo o lado, ocupando os espaços que ainda estavam menos sujos. A pequena cozinha está atafulhada de loiça, por lavar, claro. No entanto, sabe bem estar aqui. O próximo passo consiste no banho. Esse sim, o único momento relaxante do dia, merece ser aproveitado. Até porque é bem necessário. Vestir, Pingo Doce (ainda me lembro quando era Inô), carne picada, massinha, molho de bolonhesa marca da casa (muito bom), super bocks e Lima Limão, desencantar umas panelas, lavar três pratos, esperar que o cozinheiro faça o seu milagre e repor energias. 21h. Vestir o kit trabalhador e já estou atrasado. Boleia até ao recinto. Onde vou arranjar força para aguentar a noite toda? ´Tou todo partido…credencial e revista. Esta é a hora em que o recinto começa a borbulhar. Mudam-se barris, repõe-se stock, grelham-se os primeiros hambúrgueres (ou hamburgas, como ouvirei muitas vezes durante a noite), preparam-se as primeiras bifanas e cachorros. Por enquanto só os companheiros trabalhadores de recinto vão pedindo. É tipo um aquecimento. Como por magia, sem ter a decência de avisar, de preparar o incauto transeunte, Marante arranca os primeiros acordes da sua guitarra e mostra porque a sua voz é única e inconfundível. Assim dá gosto trabalhar. Sirvo umas bifanas ao som da Linda Portuguesa e logo de seguida, como que de uma estocada final se tratasse, Garçon. Só para verem com quem se metem. Ora tomem lá. Consigo perceber quando um concerto acaba pelos fluxos “migratórios”. Olho para a minha direita e vejo uma onda formada por cabeças, cartolas, capas, brincos e afins a vir para cima. Isto significa trabalho. Sim, porque um concerto de Diapasão é de abrir o apetite! (ora aí está um bom trocadilho). Só acalma quando se houve uma outra voz, desta feita muito menos melodiosa, com o vulgar “E salta malta, e salta malta, olé”. Quim. O Homem. E o mito. Como que por magia, as pessoas voam para a plateia para se deliciarem com a cabritinha, a picada do enfermeiro, o bacalhau e a Maria, a padaria e a Maria, e por aí fora. Muito bom, esse artista. Não percebo como um Marante desce ao ponto de fazer a abertura. De qualquer forma, podia estar ali a noite toda. Mas não, o teimoso hora e meia depois vem-me dar trabalho. A onda que falei em cima quadruplicou e só voltei a respirar por volta das 5 e 30. Durante esse período de tempo só vi gente indiferenciada, braços, senhas, chatos, pacotes de maionese, ketchup, mostarda, cachorros, hambúrgueres, sandes de porco no espeto (“bem recheadinha se faz favor” repetido ao expoente da loucura), copos, bebidas, sujidade, bêbados, chatos, artistas, palermas, gajos que já deviam ter idade para terem juízo, mamas, chatas, bêbadas, pão e guardanapos. Quando não estou a ouvir pedidos e gritos, consigo ouvir a boa música proveniente dos carrinhos de choque quês estão mesmo à frente, por vezes interrompida por sirenes. A melhor parte da noite é quando olho em frente, lá para o fundo e começo a ver dia. Que bem, está a acabar. Um último esforço. Também, o que resta são os últimos pedidos desesperados, as últimas tentativas de arranjar qualquer coisa de borla. Nem que se minta com esquemas e esqueminhas. “oh sócio”, “oh mano”, “já te dei a senha”, “dei ao teu colega mas ele esqueceu-se”, “olhe, paguei três euros quero que venha muito bem servido”, “orienta aí qualquer coisa”, blá, blá, blá. Será que eles percebem que eu nem os oiço? Pelo menos percebem os seguranças quando os começam a empurrar. Já não servimos mais. Closed. Cerrado. Tomorrow. Não sobrou nada amigo. E finalmente o silêncio. Uma visita às denominadas casas de banho, que já estava em espera há muito e começar a última parte. Com o sol já a mostrar-se, limpar os quilómetros de inox, despejar os restos, apanhar o lixo todo e varrer a massa indistinta que é a parte da frente da bancada. Bolas, não percebo como não há mais acidentes de percurso por aqui. O chão parece um autêntico ringue de patinagem, até para mim, completamente sóbrio. Ver o recinto a esta hora, vazio, constitui uma imagem singular. O chão está colorido com milhares de copos de plástico, papéis de todo o tipo e…coisas. O que mais incomoda é o silêncio. O palco distante sem luzes, os ecrãs desligados, as barracas fechadas. De vez em quando ainda passa um perdido, mas rapidamente lhe é mostrado o caminho. O balanço da noite é extremamente positivo. Mesmo em termos de dores de costas, pernas e pés. Até logo, fazemos contas depois chefe, e saio do recinto. Cá fora o aspecto não melhora. O plástico continua a sufocar o cimento, e ainda se vêem muitos resistentes, à espera do autocarro, de um táxi ou de melhores dias. Abraços, beijos e quedas animam quem passa. Eu é que já me meti num táxi, que bem mereço. Bom dia e bairro de St.ª Luzia se faz favor. Pago menos 30 cêntimos, não tenho trocado e o que importa é que haja saúde, vá lá a sua vidinha. Saio ao lado do café, onde nem preciso de pedir. Croissant com manteiga e um leite com chocolate. Aproveito para lavar as mãos e constatar que o senhor de cabelo branco, extremamente bem penteado está na mesma mesa, a acabar novamente as palavras cruzadas. Informo as autoridades competentes que vou dormir e assim faço, mal encontro o leito e me enrolo no saco cama. Daqui a pouco é outro dia.

domingo, 4 de maio de 2008

É um bom dia

Mãe faz a melhor sopa. Mãe sabe quando é preciso mais um casaco. Mãe sabe quando vai chover. Mãe sabe tirar nódoas. Seja qual for. Mãe faz o melhor arroz de frango. Mãe sabe quando é preciso descansar. Mãe sabe o que magoa. Mãe sabe que comprimido tomar. Ou pomada usar. Mãe sabe que calças servem. Mãe faz as melhores sobremesas. Mãe sabe quando o coração dói. E sabe qual a melhor solução. Mãe sabe ouvir. Mãe tem catalogado todos os timbres de voz. Mãe conhece as mentiras. Mãe sabe o que dizer. Mãe sabe ser Mãe.

quinta-feira, 1 de maio de 2008

A verdadeira história do 1 de Maio

Como me safo desta? A pergunta ecoava na cabeça de Jorge desde o fim da reunião com o formador em técnicas de venda. Já tinha tudo programado para a sexta seguinte. Acordaria de manhã, um breve telefonema para comunicar, entre dentes, que as amêijoas à bulhão-pato tinham provocado uma série de efeitos perversos no seu organismo, de entre os quais salientava a forte diarreia que o tem impedido de permanecer afastado da peça de porcelana por mais de 10 minutos seguidos, e por falar nisso, vou ter de desligar e correr com os joelhos unidos. De qualquer modo, hoje tinha varrido um quarteirão inteiro, fechado dois contratos e deixado 3 agendamentos para segunda. Atestada a veracidade da sua falsa doença, nada como um bom banho para acordar e tornar o corpo muito mais apetecível. Cinquenta minutos depois, entre 2 croissants esperar pela Teresa, à porta do seu prédio. Mal a secretária do pai entrasse, arrancariam os dois para um fim-de-semana prolongado muito tórrido e pouco romântico, banhados pelas águas do Mediterrâneo. Quarteira possui uns bungalows a 200 metros da praia que em Abril são uma pechincha.

- Jorge, esta nova linha de actuação é muito interessante. Amanhã irei consigo para testá-la.

- Com muito gosto…Ah! Amanhã é dia 1 de Maio, chefe…

- E então?

- Bom, eu sei que o chefe também estudou estes temas e de certo que se deve lembrar da escola das relações humanas.

- Hum…sim, claro, claro…

- Li um artigo científico que provava que instituir um “dia do trabalhador” aumenta a produtividade e a eficiência dos trabalhadores, no dia de trabalho seguinte. Em 60%! Tem qualquer coisa a ver com a satisfação, motivação e sentimento de pertença. É uma forma de reconhecer o trabalho e encarar o trabalhador como uma pessoa no seu todo, respeitando e valorizando-a. É um incentivo. De certo que também leu…

- Hum, sim…li na diagonal, qualquer coisa…

- E ao que parece, a melhor altura é precisamente no primeiro dia de um mês…lá fora, no estrangeiro, optaram pelo 1º de Maio…

- Então nós não ficaremos atrás de ninguém. Somos uma empresa moderna, que aposta nessas coisas da gestão e da psicologia. Pessoal, amanhã ninguém trabalha! É “dia do trabalhador”!

Jorge sorriu apenas durante uns segundos, o tempo de ler a mensagem acabada de receber. “Vamos ter que cancelar o fim-de-semana. A amigdalite atacou-me sem avisar”.


P.S. – Fui só eu a achar que a entrevista do Jardel para o telejornal da Rtp1 é a derradeira prova que ele anda mesmo metido nas drogas?

O melhor do Mundo

Para mim, já há campeão para o Euro 2012.

segunda-feira, 28 de abril de 2008

A questão

Os actores da série juvenil Morangos com Açúcar são tão bons que conseguem representar personagens que representam mal ou são mesmo fraquinhos?

It's kinda like summer

domingo, 27 de abril de 2008

Numa televisão perto de si

- Por mim coloca-se de parte a ideia do António. Não me interpretes mal, mas acho que é muito arriscado. É demasiado diferente.

É só mais uns meses e acaba, pensou António, do alto dos seus 187 centímetros. Desde que chegara à empresa ainda não tinha encontrado o seu espaço, o que acabava por ser natural visto que era um mero licenciado. Definitivamente, não encontrava forma de se impor, nem às suas ideias. Uma após a outra eram categoricamente rejeitadas sempre com o epíteto de diferentes, inovadoras demais, radicais ou fora do contexto, típico de inexperientes, como já lhe tinha feito questão de salientar Bárbara, a directora do departamento. Esta tinha sido a última proposta que apresentara, jurou para si pela alminha da sua avozinha. Doravante anuiria com a cabeça, concordaria com tudo o que lhe dissessem ou propusessem, excepto, claro, as missivas sexuais para encontros escaldantes na arrecadação de limpeza que a secretária do director do departamento financeiro insistia em enviar, apenas com o olhar. O seu namoro tinha perfeito 7 anos há uma semana e António orgulhava-se de nunca ter olhado, se quer, de uma forma mais provocatória para quem quer que fosse. Às vezes, até para a dona do seu coração se esquecia de olhar. Como era possível negarem uma ideia tão brilhante? Acabara o curso com uma média arrebatadora, polvilhada de elogios e mérito, lera tudo o que lhe recomendavam e ainda mais, o seu curriculum vitae, modelo europass, deixava qualquer um insuflado de inveja. Iludido com a perspectiva de trabalhar numa multi-nacional, aceitou este lugar, em detrimento de um outro numa empresa de distribuição. Mas a verdade era demasiado dura para ser…verdade. Seria tão fácil revolucionar a publicidade nesta área…até porque já era tempo de alguém o fazer. Como detesto esta cascavel, desabafou para os seus botões. Desde que ali chegara, Bárbara tinha-se encarregue pessoalmente de lhe infernizar a vida. Afinal ela é que era a Directora do Departamento de Marketing, e não se lembrara de pedir mais um colaborador para a sua equipa. O departamento de recursos humanos deve ter acedido a alguma cunha, só pode. Ainda por cima não sabe estar calado, aqui o chico-esperto, sempre com a mania que sabe, que leu os livros. Eu também li, eu também estudei e acabei o meu curso, há 17 anos atrás, quando era mais difícil. Ainda o ano passado participei numas jornadas, em Praga. Que cidade tão linda…quase nem tive tempo para ver as conferências. Pode saber muito de teoria, mas que sabe de prática? Nunca trabalhou nisto! Se até aqui as minhas fórmulas têm resultado, não vai ser agora que se vai mudar. Muito menos com ideias tão ridículas vindas de alguém tão novo.

- Pois é António, peço imensa desculpa, como lhe disse não é nada pessoa, porém acho que devemos manter a tendência e o padrão de mercado. O cliente já está habituado e gosta assim. Conseguimos passar a mensagem. Desta vez quero mais raparigas vestidas de branco a dançar. Arranjem-me uma música simples e festiva, de um grupo feminino desconhecido. Estou a conseguir visualizar…esperem…é isso! As raparigas vestidas de branco caminham por um vale verdejante ao som da música estúpida ao mesmo tempo que vão construindo uma muralha! Sim…isso…depois começam a surgir, do alto da colina outras raparigas vestidas de vermelho, também elas muito contentes, caminhando em direcção à fortaleza construída! A seguir, passa para um plano delas todas juntas a cantar e a dançar, como se fosse tudo uma grande festa! Ah, e não se esqueçam dos confetis! Queremos que as nossas mulheres sintam como é agradável este período do mês! Que dizem?

Os restantes três elementos presentes na sala acenaram afirmativamente com a cabeça e saíram o mais rápido possível para se rirem de forma alarve.

quinta-feira, 24 de abril de 2008

E num é?

Há pessoas tão famosas, mas tão famosas, que possuem pêlos públicos.

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Defeito de fabrico

Crise de ansiedade generalizada. É o nome técnico. Eu acho que é um eufemismo. Isto é um bloqueio geral. Não consigo fixar a atenção em nada. Salto de um estímulo para o outro. Cara em cara, sinal em sinal. Não consigo ler mais que os títulos dos jornais. Com o resto fico impaciente. Tenho que esperar. Não nada pior que esperar nestas alturas. Só me apetece fugir, mas nem isso consigo. Então fico muito quieto e inquieto. E o físico é o pior. Sensação de aperto no coração e o estômago mais perto da boca que nunca. Por isso tenho medo de abri-la. Não sei o que pode sair. Sensação de total descontrolo. Como disse, um eufemismo.

terça-feira, 22 de abril de 2008

Tira a Patinha

Se eu me chamasse Patinha Antão acho que a única coisa a que me candidataria seria a Líder do Clube de Fotografia da escola secundária. E mesmo assim...

Sabem o que dá na Tv a partir das 3h?

Para meu espanto e revolta o que pensava ser insuperável foi pulverizado. Pensei que o ridículo e o desespero tinham atingido máximos quando vi o Kimbé da Sic. Porém, acabei de ver o Kapinha, da sempre atenta Tvi, e todos os meus critérios e padrões foram dizimados.

Melhor Clube do Mundo

Mesmo depois dos votos do Mestre Chou Riçá no Chafé, a Académica foi eleita a Melhor Equipa do Mundo pelos leitores do Ar Mando da Verdade.

segunda-feira, 21 de abril de 2008

Considerações sobre o meu quotidiano

Não gosto de me levantar cedo. Muito menos num sábado de aulas. Mas tem de ser. Não gosto de comprar preservativos, mas tem de ser. Bem sei, sou eu que imponho estes determinantes. Sou livre. Posso escolher. A vida é bela. E tal. Porém, como sou uma pessoa responsável e que não se quer meter em trabalhos, aproveito a vida de outra forma. Não é o facto de ter que os usar (até porque me ajuda – uso daqueles retardantes possibilitando-me atingir os 50 segundos de performance). O que eu não gosto mesmo é de os comprar. Não sei como fazem, se delegam a responsabilidade no outro, se vão às máquinas das farmácias, se aproveitam os que a mãe deu ou ainda se reutilizam. Eu vou ao supermercado (ou hipermercado, como preferirem). Sim, eu sei, para quem não gosta escolho o sítio com mais gente. Contudo, é o local que nos permite maior discrição e possibilidade de camuflagem. Até já tenho uma rotina – levo a carteira na mão, aproximo-me rápida e decididamente da secção, como quem não quer a coisa, puxo uma caixa previamente escolhida (muito importante) e guardo-a na mesma mão da carteira, escondendo-a. A caixa, claro. O segundo momento embaraçoso é passar na caixa. Como costumo ir, nestas situações, apenas com aquele objectivo teria que me apresentar só com aquele artigo. Todavia, como sou um gajo inteligente acabo sempre por escolher algo mais. O normal são batatas fritas. Assim disfarça. Ah, e prefiro caixas masculinos. Só se riem. As gajas olham de maneira estranha. Estranha porque não sei se me censuram ou se os querem experimentar. O meu maior medo é cruzar-me com alguém conhecido. E no topo estão os pais da namorada. Podem supor e imaginar, mas não precisam de provas, certo?

- Olá!!

- hum…olá…

- Por aqui? Comprinhas?

- Pois…tem de ser…

- Batatas fritas…depois diz que está gordo!

- É…

- E isso, o que é?

- O quê? Não tenho nada…isto? Mas…mas…o que é isto? Quem me pôs isto aqui, na minha mão atrás da carteira? Esta gente…

- Pois…

(silêncio)

(muito silêncio)

- Bem, vou buscar paprika. Estou mesmo a precisar.

- Claro. É verdade, aproveito para lhe dizer que o jantar deste fim-de-semana foi cancelado. Passe bem.

- Hum…ok…então boa noite sim?

sexta-feira, 18 de abril de 2008

O meu contributo para a notícia do dia

Queria deixar aqui o video. Gostava que toda a gente visse, ou ouvisse. Não se deixem assustar pelos 8minutos do video. O importante é o minuto 4.10. O senhor Luís Filipe Menezes diz...imbigo! Pessoas que só olham para o seu imbigo! Vejam, a prova está aqui.

Estou em posição de missionário

Apresento aqui a minha demissão.

Quer dizer, mas acho que me vou recandidatar. Só para dar mais pica...

quinta-feira, 17 de abril de 2008

A inversão da lógica ou uma possível entrevista (2)

Jornalista Totalmente Sportinguista - Rui Costa, é uma época sem títulos... Sente-se triste?

Rui Costa - Está a ser injusto... O Torneio do Guadiana também conta... Sinto-me triste, isso sim, por ter andado a jogar com o Kaká e o Pirlo, e agora acabo a fazer passes para o Petit e o Maxi Pereira...

Jornalista Totalmente Sportinguista - E deste jogo, que recordações?

Rui Costa - O talento de Quim, que adiou o inevitável, quando nenhum tipo de leguminosa nos cabia no esfíncter... A classe do Luisão, que chapéu... Os parafusos do Petit, espalhados pelo relvado de Alvalade e, como se pode ver na página catorze d'A Bola de 17 de Abril de 2008, o momento em que o João Moutinho, esse grande jogador, me dá a mão para me ajudar a levantar e diz "Um jogador da tua classe está a mais no meio destes"...

Jornalista Totalmente Sportinguista - Vai jogar mais um ano?

Rui Costa - Só se fosse no Milan, outra vez...

Jornalista Totalmente Sportinguista - E quando for director, qual a primeira medida?

Rui Costa - Mandar instalar Internet no Estádio da Luz, bem como em casa de todos os funcionários do clube.


Momento mais "activo" do meu dia

Vamos lá apagar a chama!

A inversão da lógica ou uma possível entrevista

Jornalista totalmente imparcial – Rui Costa, o melhor jogador português a actuar no nosso campeonato e uma das glórias de Portugal, agradeço imenso ter acedido ao nosso pedido. Gostaria de lhe expor algumas questões…

Rui Costa, o Grande – Imagino que sim. Esta entrevista terá que ser rápida pois tenho que tomar conta de algumas crianças que por aqui andam. A minha mãe sempre me disse – Ruizinho, não te metas com miúdos caso contrário ficas todo borrado.

J.T.I – Compreendo. Tentarei ser o mais breve possível então. Rui, comecemos pelo óbvio. O que se passou ontem à noite?

Maestro
– Ontem foi daqueles jogos que só devia ter uma parte. Neste caso, devia ter acabado ao intervalo, claro. Oferecemos uma bela lição de como jogar futebol ao Paulo e ao Paulinho. Na segunda parte…ainda não consegui entender o que aconteceu. O Miguel Veloso corria, o Djaló marcou e até o Derlei não falhou. Quando isto acontece só podemos retirar uma conclusão – foi um jogo único. É como o Pinilla marcar três golos num jogo. Ou o Tiuí alguma vez marcar um. São situações improváveis mas que, por alguma conjugação de factores, podem acontecer.

J.T.I – Realmente tenho que concordar consigo. Aproveito para o congratular pela excelente época que está a fazer. É inevitável pensar que poderia jogar mais um ano…

Rui, grande jogador – Muito obrigado. Faço o que mais gosto – jogar à bola. Obviamente que gostaria de continuar, mas encontro-me numa situação difícil…

J.T.I – Está a referir-se aos seus 36 anos com certeza…

Quer dizer, excelente jogador
– Não. Claro que não. Não me viu a correr ontem e a marcar um golo cheio de inteligência e classe, que não tocou em nenhum defesa enganando consequentemente o guarda-redes? É certo que um jogador deve saber quando se retirar, caso contrário corre o risco de se arrastar e minar uma imagem que demora anos a construir. O meu problema foi ter sido obrigado pelo senhor presidente a tomar uma decisão quando ainda faltavam meses para acabar o campeonato.

J.T.I – Estará por ventura a colocar as culpas no presidente desta instituição?

Jogador que dava jeito na selecção
– Claro. Mas preferia que retirasse estas declarações da entrevista. É que o homem realmente não é muito inteligente. Já para não dizer que é um péssimo gestor. De pneus provavelmente não. Mas gerir pneus é um bocado diferente do que gerir uma instituição como o Benfica. O Luís vem no seguimento de uma forte linhagem de presidentes incompetentes. Como dizia, o nosso clube de futebol não possui um director. No início da época o presidente decidiu acumular os cargos…ele é limitado, às vezes esquece-se de respirar. Como poderia acumular dois cargos? Quando viu que fez asneira despediu um treinador que transformara a Luz no Inferno outra vez e que já não perdia um jogo há muito tempo. Foi buscar o espanholito como se D. Sebastião se tratasse. Acontece que o D. Sebastião do Benfica sou eu. Não há espaço para os dois. Para completar o arranjo nomeou-me director desportivo, sendo eu ainda jogador. Como se sentirão os meus colegas no balneário?

J.T.I
– Compreendo. E mais uma vez tenho que concordar consigo. Como benfiquista que é como se sente quando olha para a lamentável época que o Glorioso está a fazer?

O 10
– Triste. Revoltado. Sozinho. Alface.

J.T.I
– Alface?

Um ídolo – Sim, alface. Não lavou bem os dentes e ficou com um bocado agarrado aí entre o canino. Retomando, eu cresci numa época em que o Benfica não pedia licença para ganhar, um jogo em que ganhasse por menos de 3 era um dia triste, um mau jogo, fosse a quem fosse. Há aproximadamente uma década para cá tem sido o descalabro. Continuo orgulhosamente benfiquista pois ser do Benfica é sentir esta mística, é ser diferente. Se temos que ser sofredores por mais uns tempos, sejamos. É uma travessia no deserto e uma prova de fé. Já joguei no Milan e posso comparar. Não há nenhum clube com a grandeza, com a magnitude, com a altivez que o Benfica possui. O Benfica é o Benfica. Que o digam os milhões de adeptos espalhados por todo o Mundo. Levantem a cabeça e tenham orgulho no que são.

J.T.I
– Eu que sou um jornalista imparcial estou com uma lágrima no canto do olho…

O maior – É normal. É o poder do Benfica. Agora, vai-me desculpar mas vamos ficar por aqui. O Chalana não pára de chorar, repetindo que isto só pode estar a viver um pesadelo. Veja lá que já se quis inscrever para poder jogar…Aqui entre nós…se o Luís Filipe joga…

J.T.I e comovido – Luís quê? Não conheço…muito obrigado pela sua disponibilidade e até uma próxima.

quarta-feira, 16 de abril de 2008

Bella Italia

SSC Napoli 2 - 0 Atalanta Bergamo

Arezzo 0 - 2 Ancona

Pro Sesto 2 - 0 Novara

Sambenedettese 0 - 0 Potenza

Pistoiese 1 - 1 Martina