Não tinha de acabar assim. Bem sabes que te tentei ajudar, não podes negar. Não foi de uma forma simpática, é certo, mas tens de admitir que não és propriamente atraente ao toque. Tentei mostrar-te o caminho da liberdade. Não era bom para nenhum de nós a tua estadia cá
sexta-feira, 9 de maio de 2008
Enfim...vou falecer ali para o lado.
quinta-feira, 1 de maio de 2008
A verdadeira história do 1 de Maio
Como me safo desta? A pergunta ecoava na cabeça de Jorge desde o fim da reunião com o formador em técnicas de venda. Já tinha tudo programado para a sexta seguinte. Acordaria de manhã, um breve telefonema para comunicar, entre dentes, que as amêijoas à bulhão-pato tinham provocado uma série de efeitos perversos no seu organismo, de entre os quais salientava a forte diarreia que o tem impedido de permanecer afastado da peça de porcelana por mais de 10 minutos seguidos, e por falar nisso, vou ter de desligar e correr com os joelhos unidos. De qualquer modo, hoje tinha varrido um quarteirão inteiro, fechado dois contratos e deixado 3 agendamentos para segunda. Atestada a veracidade da sua falsa doença, nada como um bom banho para acordar e tornar o corpo muito mais apetecível. Cinquenta minutos depois, entre 2 croissants esperar pela Teresa, à porta do seu prédio. Mal a secretária do pai entrasse, arrancariam os dois para um fim-de-semana prolongado muito tórrido e pouco romântico, banhados pelas águas do Mediterrâneo. Quarteira possui uns bungalows a
- Jorge, esta nova linha de actuação é muito interessante. Amanhã irei consigo para testá-la.
- Com muito gosto…Ah! Amanhã é dia 1 de Maio, chefe…
- E então?
- Bom, eu sei que o chefe também estudou estes temas e de certo que se deve lembrar da escola das relações humanas.
- Hum…sim, claro, claro…
- Li um artigo científico que provava que instituir um “dia do trabalhador” aumenta a produtividade e a eficiência dos trabalhadores, no dia de trabalho seguinte. Em 60%! Tem qualquer coisa a ver com a satisfação, motivação e sentimento de pertença. É uma forma de reconhecer o trabalho e encarar o trabalhador como uma pessoa no seu todo, respeitando e valorizando-a. É um incentivo. De certo que também leu…
- Hum, sim…li na diagonal, qualquer coisa…
- E ao que parece, a melhor altura é precisamente no primeiro dia de um mês…lá fora, no estrangeiro, optaram pelo 1º de Maio…
- Então nós não ficaremos atrás de ninguém. Somos uma empresa moderna, que aposta nessas coisas da gestão e da psicologia. Pessoal, amanhã ninguém trabalha! É “dia do trabalhador”!
Jorge sorriu apenas durante uns segundos, o tempo de ler a mensagem acabada de receber. “Vamos ter que cancelar o fim-de-semana. A amigdalite atacou-me sem avisar”.
P.S. – Fui só eu a achar que a entrevista do Jardel para o telejornal da Rtp1 é a derradeira prova que ele anda mesmo metido nas drogas?
segunda-feira, 28 de abril de 2008
A questão
domingo, 27 de abril de 2008
Numa televisão perto de si
- Por mim coloca-se de parte a ideia do António. Não me interpretes mal, mas acho que é muito arriscado. É demasiado diferente.
É só mais uns meses e acaba, pensou António, do alto dos seus 187 centímetros. Desde que chegara à empresa ainda não tinha encontrado o seu espaço, o que acabava por ser natural visto que era um mero licenciado. Definitivamente, não encontrava forma de se impor, nem às suas ideias. Uma após a outra eram categoricamente rejeitadas sempre com o epíteto de diferentes, inovadoras demais, radicais ou fora do contexto, típico de inexperientes, como já lhe tinha feito questão de salientar Bárbara, a directora do departamento. Esta tinha sido a última proposta que apresentara, jurou para si pela alminha da sua avozinha. Doravante anuiria com a cabeça, concordaria com tudo o que lhe dissessem ou propusessem, excepto, claro, as missivas sexuais para encontros escaldantes na arrecadação de limpeza que a secretária do director do departamento financeiro insistia em enviar, apenas com o olhar. O seu namoro tinha perfeito 7 anos há uma semana e António orgulhava-se de nunca ter olhado, se quer, de uma forma mais provocatória para quem quer que fosse. Às vezes, até para a dona do seu coração se esquecia de olhar. Como era possível negarem uma ideia tão brilhante? Acabara o curso com uma média arrebatadora, polvilhada de elogios e mérito, lera tudo o que lhe recomendavam e ainda mais, o seu curriculum vitae, modelo europass, deixava qualquer um insuflado de inveja. Iludido com a perspectiva de trabalhar numa multi-nacional, aceitou este lugar, em detrimento de um outro numa empresa de distribuição. Mas a verdade era demasiado dura para ser…verdade. Seria tão fácil revolucionar a publicidade nesta área…até porque já era tempo de alguém o fazer. Como detesto esta cascavel, desabafou para os seus botões. Desde que ali chegara, Bárbara tinha-se encarregue pessoalmente de lhe infernizar a vida. Afinal ela é que era a Directora do Departamento de Marketing, e não se lembrara de pedir mais um colaborador para a sua equipa. O departamento de recursos humanos deve ter acedido a alguma cunha, só pode. Ainda por cima não sabe estar calado, aqui o chico-esperto, sempre com a mania que sabe, que leu os livros. Eu também li, eu também estudei e acabei o meu curso, há 17 anos atrás, quando era mais difícil. Ainda o ano passado participei numas jornadas, em Praga. Que cidade tão linda…quase nem tive tempo para ver as conferências. Pode saber muito de teoria, mas que sabe de prática? Nunca trabalhou nisto! Se até aqui as minhas fórmulas têm resultado, não vai ser agora que se vai mudar. Muito menos com ideias tão ridículas vindas de alguém tão novo.
- Pois é António, peço imensa desculpa, como lhe disse não é nada pessoa, porém acho que devemos manter a tendência e o padrão de mercado. O cliente já está habituado e gosta assim. Conseguimos passar a mensagem. Desta vez quero mais raparigas vestidas de branco a dançar. Arranjem-me uma música simples e festiva, de um grupo feminino desconhecido. Estou a conseguir visualizar…esperem…é isso! As raparigas vestidas de branco caminham por um vale verdejante ao som da música estúpida ao mesmo tempo que vão construindo uma muralha! Sim…isso…depois começam a surgir, do alto da colina outras raparigas vestidas de vermelho, também elas muito contentes, caminhando em direcção à fortaleza construída! A seguir, passa para um plano delas todas juntas a cantar e a dançar, como se fosse tudo uma grande festa! Ah, e não se esqueçam dos confetis! Queremos que as nossas mulheres sintam como é agradável este período do mês! Que dizem?
quarta-feira, 23 de abril de 2008
Defeito de fabrico
Crise de ansiedade generalizada. É o nome técnico. Eu acho que é um eufemismo. Isto é um bloqueio geral. Não consigo fixar a atenção em nada. Salto de um estímulo para o outro. Cara em cara, sinal em sinal. Não consigo ler mais que os títulos dos jornais. Com o resto fico impaciente. Tenho que esperar. Não nada pior que esperar nestas alturas. Só me apetece fugir, mas nem isso consigo. Então fico muito quieto e inquieto. E o físico é o pior. Sensação de aperto no coração e o estômago mais perto da boca que nunca. Por isso tenho medo de abri-la. Não sei o que pode sair. Sensação de total descontrolo. Como disse, um eufemismo.
terça-feira, 22 de abril de 2008
Sabem o que dá na Tv a partir das 3h?
segunda-feira, 21 de abril de 2008
Considerações sobre o meu quotidiano
Não gosto de me levantar cedo. Muito menos num sábado de aulas. Mas tem de ser. Não gosto de comprar preservativos, mas tem de ser. Bem sei, sou eu que imponho estes determinantes. Sou livre. Posso escolher. A vida é bela. E tal. Porém, como sou uma pessoa responsável e que não se quer meter em trabalhos, aproveito a vida de outra forma. Não é o facto de ter que os usar (até porque me ajuda – uso daqueles retardantes possibilitando-me atingir os 50 segundos de performance). O que eu não gosto mesmo é de os comprar. Não sei como fazem, se delegam a responsabilidade no outro, se vão às máquinas das farmácias, se aproveitam os que a mãe deu ou ainda se reutilizam. Eu vou ao supermercado (ou hipermercado, como preferirem). Sim, eu sei, para quem não gosta escolho o sítio com mais gente. Contudo, é o local que nos permite maior discrição e possibilidade de camuflagem. Até já tenho uma rotina – levo a carteira na mão, aproximo-me rápida e decididamente da secção, como quem não quer a coisa, puxo uma caixa previamente escolhida (muito importante) e guardo-a na mesma mão da carteira, escondendo-a. A caixa, claro. O segundo momento embaraçoso é passar na caixa. Como costumo ir, nestas situações, apenas com aquele objectivo teria que me apresentar só com aquele artigo. Todavia, como sou um gajo inteligente acabo sempre por escolher algo mais. O normal são batatas fritas. Assim disfarça. Ah, e prefiro caixas masculinos. Só se riem. As gajas olham de maneira estranha. Estranha porque não sei se me censuram ou se os querem experimentar. O meu maior medo é cruzar-me com alguém conhecido. E no topo estão os pais da namorada. Podem supor e imaginar, mas não precisam de provas, certo?
- Olá!!
- hum…olá…
- Por aqui? Comprinhas?
- Pois…tem de ser…
- Batatas fritas…depois diz que está gordo!
- É…
- E isso, o que é?
- O quê? Não tenho nada…isto? Mas…mas…o que é isto? Quem me pôs isto aqui, na minha mão atrás da carteira? Esta gente…
- Pois…
(silêncio)
(muito silêncio)
- Bem, vou buscar paprika. Estou mesmo a precisar.
- Hum…ok…então boa noite sim?
